TRADUTOR/TRANSLATE

domingo, 17 de dezembro de 2017

Homossexualidade Na Espanha Muçulmana

Na região conhecida como al-Andalus, governada por muçulmanos, os não cristãos (judeus e muçulmanos) que praticavam a homossexualidade abertamente, tendo relacionamentos estáveis e intercurso sexual com parceiros do mesmo sexo, eram a elite intelectual e política da época. Abderramão III, Aláqueme II, Hisham II, e al-Mutamid mantinham haréns masculinos. As memórias de Badis, o ultimo rei Zirid de Granada, faz inúmeras referências à contratação de prostitutos, que além de cobrarem valores exorbitantes pelos seus serviços, mantinham como clientela a mais alta classe da região.(1) A despeito das inúmeras críticas dos cristãos, a homossexualidade nunca foi claramente condenada entre árabes e judeus medievais. No último século de dominação islâmica na Espanha, a homossexualidade era inclusive vista como uma prática de resistência ao cristianismo que se impunha cruelmente, destruindo escolas, bibliotecas, sinagogas e mesquitas da região. A Idade do Ouro do ocultismo também aconteceu em Al-Andalus, na Idade Média Ibérica. Os místicos, principalmente judeus e muçulmanos, estudavam, desenvolviam e ensinavam a Cabala e a Alquimia. A Ordem dos Templários teve uma presença significativa nessa região, onde são encontradas a maioria dos capítulos da Ordem. Principalmente entre os místicos muçulmanos e judeus o relacionamento entre dois homens era bastante comum e visto com naturalidade. Os cristãos referiam-se a esses místicos como escandalosos e depois de inúmeras acusações, terminaram por decretar a pena de morte aos homossexuais. Alguns grupos se mantiveram ocultos em confrarias e irmandades secretas, consta inclusive a presença de cristãos nesses grupos, que realizavam uma espécie de culto à Virgem Maria(2) e podem ter relações com a Ordem dos Templários.(3)

O casal mais famoso desse período foi Juan II e o seu amante Álvaro de Luna. O assassinato de Álvaro de Luna pelos cristãos se tornou no século XVII um evento bastante representativo da repressão à sodomia. Granada era vista como um lugar frequentado predominantemente por intelectuais e artistas abertamente homossexuais. Os cristãos acusavam os judeus de terem introduzido a "sodomia" na Espanha. (4)A relação entre os judeus sefaraditas de Granada e a homossexualidade ainda é claramente vista em letras de canções tradicionais da época.(5) Federico García Lorca, nascido em Granada e tido como o maior poeta da Espanha e um dos maiores escritores do mundo, homossexual assumido que foi assassinado pelos franquistas na Guerra Civil Espanhola.(6)(7), fez inúmeras referências à Granada homossexual nos seus escritos. Por se tratar de uma história contada pela minoria sobrevivente ao massacre provocado pela cristandade ibérica, os estudos sobre a homossexualidade nesse período ainda são insuficientes para determinar com mais clareza a vida quotidiana em Al-Andalus.

O lesbianismo era comum, sobretudo nos haréns, embora se tratasse de relações mantidas discretamente por serem passíveis de utilização em intriga política.(8) Algumas mulheres privilegiadas do Al-Andaluz tinham acesso à educação; existem antologias modernas de poesia escrita por mulheres,(9)(10) em que o amor entre mulheres aparece tratado com naturalidade.(11)

A homossexualidade passa a ser categorizada e referida como anomalia a partir do século XIX, por influência do pensamento cristão na formação de cientistas e acadêmicos da época. Até mesmo os pensadores muçulmanos e judeus posteriores acabam sofrendo influência ideológica do cristianismo, passando a condenar veementemente a homossexualidade, sem saber que muitos místicos e estudiosos que sistematizaram seus rituais e textos sagrados eram abertamente homossexuais.

Por entre o esplendor medieval da cultura judaica descobriu-se, graças aos estudos de Jefim Schirmann e Norman Roth, que o homoerotismo e a homossexualidade tiveram grande importância na sociedade judaica da época. De facto, na cultura cristã e entre os séculos XIII e XVII, associava-se o judaísmo à perversão sexual e à homossexualidade, sobre o que ficou testemunho na poesia satírica da época.(12)

Os autores da poesia homoerótica hispanojudaica, que declaram o seu amor tanto a rapazes como a homens adultos, chegavam a ser importantes líderes das suas comunidades ou rabis, como é o caso de Ibn Gabirol, Samuel ha-Naguid, Moisés Ibn Ezra e Judah ha-Levi.(12)





(1) Ibn Said al-Maghribi, The Banners of the Champions, trad. James Bellamy e Patricia Steiner (Madison: Hispanic Seminaryof MedievalStudies, 1988)
(2) Encyclopedia of Medieval Iberia, ed. MichaelGerli (New York: Routledge, 2003), 398–399.
(3) Gay Warriors, by Burg, B. R., et al.; New York: New York University Press, 2002. ISBN 0-8147-9886-1.
(4) “‘My Beloved is Like a Gazelle’: Imagery of the Beloved Boy in Religious Hebrew Poetry,” Hebrew Annual Review, 8 (1984), 143-65.
(5) “The Ephebe in Medieval Hebrew Poetry,” Sefarad, 15 (1955), 55-68; Norman Roth
(6) Portal Poesía
(7) Federico García Lorca, 70 aniversario de su muerte, Universia.
(8) "Homosexuality. A history", Colin Spencer, 1996, Londres: Fourth Estate, id = 1-85702-447-8
(9) Teresa Garulo, "Diwan de las poetisas de al-Andalus", 1986, Madrid, Hiperión
(10) Mahmud Subḥ, "Poetisas arábigo-andaluzas", segunda edição, 1994, Granada, Diputación Provincial de Granada
(11) Daniel Eisenberg, 1999, Homosexuality in Spanish history and culture data de acesso: 30 de Abril de 2007 (em inglés
(12) a b Daniel Eisenberg, 2004, Efebos y homosexualidad en el medievo ibérico acedida em 30 de Abril de 2007

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

"Pano Miserável"

A reputação da Tunísia como pioneira nos direitos das mulheres remonta ao seu primeiro presidente, Habib Bourguiba, que aprovou um novo código do status pessoal em 1956, apenas três meses após a independência do país. Bourguiba aboliu a poligamia e substituiu o repúdio (um divórcio rápido e informal em que um marido só tinha que dizer "Eu me divorcio de você") pelo divórcio civil que um homem ou uma mulher poderiam iniciar. Na década de 1960, o Estado protegeu o direito da mulher  trabalhar, viajar, possuir seu próprio negócio, e incentivou ativamente o planejamento familiar. Bourguiba descartou o véu como um "pano miserável", e foi filmado removendo os véus das mulheres em plena rede nacional.

Para Bourguiba, a promoção dos direitos das mulheres fazia parte de um projeto modernista, anti-colonialista, e de desenvolvimento. Como escrevi em outro lugar, o legado de Bourguiba continua sendo até hoje uma questão extremamente divisória na Tunísia. A reforma do presidente na lei do status pessoal "virou a sociedade de cabeça para baixo". Enquanto muitos islamitas  o desprezam, ele era venerado pelas mulheres daquela geração.


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

"Vai Ser Feminista Islâmica No Oriente"

"Feminists Inshallah" (Feministas se Deus Quiser: História do feminismo árabe - dirigido pela Feriel Ben Mahmoud) engloba mais de 100 anos de história, começando com o feminista egípcio Qasim Amin (1863-1908), cujas aspirações nacionalistas para o Egito alimentaram sua afirmação de que o Corão apoia os direitos das mulheres. Um essencialista feminista, Amin acreditava que a superioridade moral das mulheres, alimentada pela educação e direitos civis, iria revelar-se crucial para o Egito se livrar do jogo do colonialismo e prosperar no mundo moderno. Na sequência, temos o nacionalista tunisino Tahar Haddad (1899-35) que adotou a posição de Amin, e que teve grande influencia sobre os líderes da Tunísia. Apesar do fato de que a história credita a feminista egípcia Huda Shaarawi como a primeira mulher muçulmana a publicamente - e dramaticamente - descartar o véu, em uma estação de trem do Cairo em 1922, A Tunísia concedeu mais direitos às mulheres após a independência do que alcançaram as mulheres egípcias.

Quando Gamal Abdel Nasser, em uma reunião com o presidente da Tunísia, Habib Bourguiba (que chamou o hijab de "pano miserável"), elogiou as realizações de Bourguiba - educação pública para todos, direitos de divórcio para mulheres, contracepção legal e aborto - Bourguiba perguntou por que Nasser não podia fazer o mesmo. Muitos atribuíram o "não posso" de Nasser à sua cautela em relação à Irmandade Muçulmana, que já era um poderoso contrapeso ao pan-arabismo.

Aparece também a história de Ben Mahmoud, um estudioso educado pela Sorbonne cujos filmes anteriores incluíram uma história da Tunísia e uma biografia de Umm Kulthum. Ele reconhece a influência liberalizadora das performances de Kulthum em todo o mundo árabe, bem como a influência da glamourosa indústria cinematográfica egípcia da década de 1950 e 60. Artistas como Samia Gamal celebraram a beleza e sensibilidade do corpo feminino - prefigurando uma geração contemporânea de feministas no mundo árabe e no Ocidente, que tornaram o corpo livre o foco de seu trabalho.

Hoje, as antenas parabólicas que coexistem com os minaretes nos céus das cidades árabes sinalizam diferentes canais. Os conservadores e os islamistas viram a esmagadora derrota da Guerra dos Seis Dias de 1967, por um Estado fundado como uma entidade religiosa, como ponto de viragem, punição e repreensão aos modernistas. (De forma semelhante, os conservadores americanos e os cristãos fundamentalistas interpretaram a derrota dos Estados Unidos no Vietnã como uma punição e repreensão ao liberalismo, uma posição que fortaleceu sua oposição permanente ao feminismo e aos direitos das mulheres.) O poder crescente da Arábia Saudita, em uma economia mundial baseada no petróleo, também propagou o wahabismo em todo o Oriente Médio.

A historiadora Sophie Bessis, uma das várias estudiosas que aparecem no "Feminismo Inshallah", afirma que a influência saudita, bem como as revoluções e lutas contínuas para a autodeterminação na região, transformaram "esse pano miserável" de um grilhão a um "símbolo da libertação política", e depois em uma norma social e religiosa generalizada. (Não tão ironicamente, muitos no Ocidente vêem essa transformação como invertida.)

Ben Mahmoud encontra esperança no trabalho de feministas mais jovens - incluindo "Dialy", uma peça marroquina que lembra "Os Monólogos da Vagina" e um amplo projeto de redes sociais projetado por duas feministas libanesas. Ela termina "Feminists Inshallah" com uma montagem de capturas de tela de jovens sorridentes de vários países árabes, segurando cartazes declarando seu apoio aos direitos das mulheres.



AL JADID MAGAZINE
Tradução Tia Polly

sábado, 4 de novembro de 2017

SALAT = DEVER/COMPROMISSO

Eu já postei aqui no blogue a interpretação de "salat" como oração realizada 3 vezes ao dia. Mas, nem todos concordam com esta interpretação, alguns dizem que são 5, e outros dizem que não existe uma oração ritual no Alcorão. Hoje decidi compartilhar essa outra maneira de se pensar o "salat".

De acordo com o Alcorão, a palavra "salat" significa dever ou compromisso. "Salat" é um substantivo abstrato assim como esperança e paciência. Dever/Compromisso (salat) é compatível e adequado a todos os versos e contextos em que é utilizado. 

Nosso dever para Deus sozinho é delineado pela "al fatiha" (A Abertura). É o acordo que se firma ao nos submetermos a Deus. Se alguém quiser repetir a "al fatiha" como uma promessa de fidelidade, então pode-se fazê-lo, mas, foi Deus quem nos enviou a mensagem, e não há qualquer necessidade de repeti-la de volta a Ele. Ele apenas nos disse para falarmos com as pessoas, talvez elas possam ouvir as palavras de Deus. Nosso principal dever para com Deus é aderir a "al fatiha", conforme descrito em 1:5. 

Cada indivíduo tem deveres e compromissos diferentes, por exemplo, a minha parte é escrever isso ao serviço do meu Senhor, mas a sua pode ser diferente. Objetivamente, não existe um único caminho para o "salat", desde que este se ajuste ao Alcorão e a Deus sozinho. 

A oração ritual não é encontrada em nenhum lugar do Alcorão, e rezar X, Y, Z vezes também não. A oração ritual vem de fontes secundárias, fontes secundárias que Deus não sancionou e deixa claro que é (shirk) uma grave transgressão inventar coisas além do que já foi estipulado. Ablução, sjd e os outros componentes, tais quais da oração ritual, também não têm base no Alcorão, e não encontram qualquer tipo de apoio. "sajjada" significa "submeter"  e é sinônimo de submissão e obediência. Ler o Alcorão, entender e implementar as suas regras, é o compromisso de todo muçulmano.

O "salat" criado pelo homem não é mencionado nos "ahadith" feitos pelo homem.

Não há um único "hadith" que ensine o "salat" do início até o fim.

Existem centenas de "ahadith" do homem que contam pedaços de histórias diferentes sobre como orar.
Cada seita tem seu próprio "salat".

Não há um único verso no Alcorão que nos dê um método sequencial claro, passo a passo, para observar um ritual chamado "salat".

Por exemplo, não podemos encontrar um versículo no Alcorão que diga: "Ó vós, que creem, quando vocês se levantarem para fazer o "salat", então vocês devem ficar de pé, recitar o Alcorão, curvar-se, prostrar ..." E assim por diante.

Se o ritual "salat" é tão importante, por que Deus não nos forneceu informações tão importantes? Simples, porque o "salat" não é um ritual.

AQUI ESTÃO ALGUMAS RAZÕES:

1- Salat significa seguir de perto/estar próximo, e não é uma oração porque oração em árabe é Dua.
2- O comando para estabelecer o (aqimi)  em momentos específicos 17:78-79 e 11:114 foi apenas para o Profeta Muhammad. O Profeta Muhammad não pode estabelecer o salat para nós nestes momentos específicos porque ele morreu no ano 632 dC.
3- Não há nenhum mandamento para que os fiéis estabeleçam (Aqimu) em momentos específicos.
4- Em nenhum lugar, Deus disse para nos direcionarmos ou "sujjud" para o "masjid al haram/kaaba"
5- "Sujjud" é para Deus e Deus não vive dentro da "kaaba". Deus é onipresente (Presente em todos os lugares).
6- Por que "sujjud" como Prostração não se encaixa em muitos versículos do Alcorão?
7- Como tudo "sujjud" de bom grado e sem vontade 13:15?
8- A menção separada de "qyiam", "rukku", "sujjud" etc no Alcorão prova que eles não fazem parte da "rakat" ou "salat". Em nenhum lugar do Alcorão é mencionado que eles são partes da "rakat" ou "salat". Então, isso prova que não existe tal coisa como "rakat".
9- Número de "rakats" não são mencionados no Alcorão.
10- Não são indicados horários para o "salat" no Alcorão.
11 - "Dhuhr", "asr", "magrib" etc não existem no Alcorão.
12- Na oração ritual tradicional, usa-se "allahu akbar", o qual não é mencionado no Alcorão.
13- Na oração ritual tradicional, as pessoas dizem a palavra amém que não é mencionada no Alcorão.
14- O "adhan" como praticado pelos sunitas e xiitas não é mencionado no Alcorão.
15- Recitar a "fatiha" em cada "rakat" não é  mandamento de Deus.
16- Recitar "attahiyat" no final da Oração não é mandamento de Deus.
17- Levantar o dedo indicador em "tashahhud" não é mandamento de Deus.
18- Recitar "darood" a Abraão, Muhammad e sua família em Oração não é mandamento de Deus.
19- Dizer "salams" para esquerda e direita no final da Oração não é mandamento de Deus.
20- Dizer que homens e mulheres devem cobrir a cabeça durante a oração, não é mandamento de Deus.
21- Realizar oração em uma esteira de oração não é mandamento de Deus.
22- Realizar "wudu/ghusil" lavando partes do corpo 3 vezes não é mandamento de Deus.
23- Ambos os versos sobre "wudu/ghusil" 4:43 & 5: 6 são explicitamente dirigidos aos homens para executar "wudu/ghusil".
24- O que significa perder o "salat" e seguir os desejos em vez disso (19:59)?
25- Qual foi o "salat" que foi dado a Shu'aib (11:87)?
26- Como os politeístas podem observar o "salat" (9:5)?
27- Como um grupo de crentes realizaram as orações rituais tradicionais carregando armas perigosas como espadas, escudos, flechas, arcos e lanças, etc 4:102?
28- Como alguém pode realizar orações rituais a pé ou cavalgando (2:239)?
29- Como o bebê Jesus realizou a oração ritual e contribuiu com "zakat" em um berço (19:29-31)?
30- O Sol não se põe e se eleva no pólo sul e no norte por meses, então, como os muçulmanos realizarão orações rituais nessas regiões?
31- Se as palavras "aqim, aqamu, aqimu salat" no Alcorão significa que temos que estabelecer uma oração/"namaz" com ações físicas como ficar de pé, curvar e prostrar
Então, o que Deus quer dizer com

1- Estabeleça "aqamu" Torah e Injeel 5:66, Estabeleça (tuqimu) Torah e Injeel 5:68?
2- Estabeleça (aqim) face ao sistema (deen) 10:105, 30:33, 30:43?
3- Estabeleça (aqimu) suas faces para o sistema (deen) 7:29?
4- Estabeleça (aqimu) o sistema (deen) 42:13?
Isso significa que as pessoas do livro têm que ficar de pé, curvar e prostrar para a Torah e para o Injeel?
Ou Isso significa que temos que ficar de pé, curvar  prostrar para o sistema (deen)?

32- Como tudo nos céus e a terra realizam "salat" 24:41?
33- Se a "kaaba" de Abraão existia durante o tempo de Moisés, por que Deus ordenou a Moisés que fizesse novas "qiblas" 10:87?
34- Quando você se prostra à "kaaba" no "salat" ritual, você também está se prostrando ao meteoroide (Hajr Aswad) ligado à "kaaba". Não há tal mandamento no Alcorão.
35- "Salat" protege os fiéis da "fahshah" e "munkar" 29:45 então, se "salat" estiver limitado a 5 vezes, então, como ele protegerá os crentes da "fahshah" e "munkar", o resto do tempo?
36- Por que o "salat" ritual não livra seguidores do grupo  ISIS, AL-QAIDA, TALIBAN, BOKO HARAM, SIPAH SAHABA, AL-NUSRA, AL SHABAAB, HEZBOLLAH etc. da lascívia.
37- Realizar orações de "dhuhr" e "asr" violam silenciosamente o mandamento de Deus 17:110.
38- Se "salat" foi ordenado a Muhammad, então qual "salat" é mencionado com Abraão e Ismael (14:37, 14:40, 19: 54-55), com Shuayb 11:87, com Moisés 20:14, com Jesus / Isa 19 : 31 e com Zacarias 3:39?

Quran Alone Best Hadith of Allah





domingo, 15 de outubro de 2017

Viagem Noturna

 “Glorificado seja Aquele que, durante a noite, transportou o Seu servo, tirando-o da Sagrada Mesquita (em Meca) e levando-o à Mesquita de al-Aqsa (em Jerusalém), cujo recinto bendizemos, para mostrar-lhe alguns dos Nossos sinais[1]. Sabei que Ele é Oniouvinte, o Onividente.” (17:1)

A maioria dos muçulmanos falam que o Profeta Muhammad foi de Meca a Jerusalém em apenas uma noite, montado em um ser mítico, e que esteve na mesquita que existe em Jerusalém chamada al-Aqsa.


"O profeta Muhammad foi apresentado a um animal branco que ele descreveu como sendo menor que um cavalo, mas maior que um jumento, que ficou conhecido como al-Buraq. Esse animal, ele disse, podia dar uma passada na medida do que podia ver. Com um pulo, al Buraq podia cobrir uma distância incrivelmente vasta.[5] O anjo Gabriel disse ao profeta Muhammad para montar o animal e juntos viajaram mais de 1.200 km para a masjid mais distante - a Masjid al-Aqsa."


al Buraq

Só que essa mesquita só foi construída depois da morte do Profeta, como o acadêmico muçulmano al-Wasiti, e a própria história nos conta. Os muçulmanos invadiram o país em (634) e quatro anos mais tarde Omar conquistou Jerusalém (6 anos após a morte do Profeta). Somente no reinado de Abd el-Malik, que foi construída o Domo da Rocha (691 dc). Depois desse período foi construída a mesquita al-Aqsa.

O acadêmico muçulmano al-Wasiti fez o seguinte relato sobre a construção:


“Quando Abd al-Malik tencionava construir o Domo da Rocha, ele foi de Damasco a Jerusalém. Ele escreveu, "Abd al-Malik quer construir um dome (qubba) sobre a Rocha para abrigar os muçulmanos contra o frio e o calor, e construir uma mesquita. Mas antes de começar ele quer saber a opinião de seus súditos." Com a aprovação deles, os seus enviados escreveram de volta, "Que Alá permita o sucesso de sua empreitada e que Ele conte o domo e a mequita como uma boa ação de Abd al-Malik e seus predecessores."' Ele então juntou artesãos de todo o seu domínio e pediu-lhes que providenciassem uma descrição e um modelo para o domo planejado antes de iniciarem as obras. Ele então ordenou a construção de um tesouro (bayt al-mal) na parte leste da Rocha, na beirada, e encheu-o de dinheiro. Em seguida, ele apontou Raja' ibn Hayweh e Yazid ibn Salam para supervisionarem a construção e ordenou que eles não poupassem gastos nela. Abd al-Malik retornou então para Damasco. Quando os dois homens ficaram satisfeitos com a obra, eles escreveram de volta ao califa para informá-lo de que a construção do domo e da Mesquita de al-Aqsa estava completa. Eles disseram "Não há nada no edifício que possa ser criticado". Eles escreveram que cem mil dinares sobraram no orçamento que ele os havia confiado. Abd al-Malik ofereceu o dinheiro a eles como recompensa, mas eles negaram, indicando que já haviam sido generosamente compensados. O califa então ordenou que as moedas de ouro fosse derretidas e aplicadas no exterior do domo, que, na época, brilhava com tamanho fulgor que ninguém conseguia olhar diretamente para ele.

The Dome of the Rock Revisited: Some Remarks on al-Wasiti's Accounts
 Nasser Rabba

sábado, 7 de outubro de 2017

Eu sou muçulmana e por isto digo NÃO ao hijab!

À primeira vista, essa frase soa incoerente e polêmica, afinal, "é o hijab que faz a mulher muçulmana ser identificada como tal"... Será mesmo? Ou a real é que "o hijab é que te torna um alvo fácil"?

Quero problematizar a palavra "hijab", que no Alcorão, não é usada para definir vestimenta, mas sim CORTINA, BARREIRA.
Então, quão razoável é para usar uma palavra para definir a vestimenta (o véu), algo que significa barreira? Eu, Ana Lúcia Meschke, só posso concluir, nas entrelinhas, que o véu é para anular a mulher!

Outra coisa, no Alcorão, não tem UMA palavra escrito "véu" (referente vestimenta) e nem diz que é para cobrir a cabeça, os cabelos. Fala-se para se cobrir com o intuito de cobrir a nudez, os atrativos, que só devem ser mostrados para um grupo específico: família, crianças que não sabem discernir a nudez, etc.

Aqui no Ocidente, a objetificação da mulher se dá pela exposição excessiva da nudez, com cunho totalmente sensual, sexualizado, assim como imposição de padrões de estética e beleza, que movimentam as indústrias da moda, cirurgias plásticas etc. Referente ao véu, ensina-se que é com o intuito de valorizar e preservar a mulher, como se isso antagonizasse com a objetificação que ocorre no Ocidente. Só que não é isso, minha gente.

O véu, de forma oposta, objetifica a mulher e distorce o conceito de feminilidade e Islã. Contrariando o Alcorão, que ensina a mulher a se vestir com recato e cobrir a nudez, os atrativos, religiosos ensinam que a mulher deve se cobrir por inteiro, sendo, muitas vezes, comparadas a pirulitos desembalados, e consequentemente, rodeado de moscas varejeiras. Alguns são mais sutis e menos grosseiros, dizendo que a mulher é como uma pérola e o véu é como uma concha. Isso só passa a mensagem de que a mulher só merece respeito se estiver totalmente coberta.

Por que ensinam a cobrir os cabelos se os cabelos obviamente não fazem parte da nudez? E por que não frisam a parte que é para o homem, antes de tudo, baixar o olhar? Quantas mulheres não são culpadas pelo assédio ou coisa pior, por causa da roupa? Quantas não são julgadas para transar, se não se vestem de acordo com a modéstia machista?

Deus diz claramente no Alcorão que não deseja nos impor carga alguma superior às nossas forças! Usar o véu torna a mulher alvo fácil do ódio anti-muçulmano. Nada justifica perseguir e agredir uma muçulmana que usa véu, mas isso, em boa parte, é culpa dos religiosos que ensinam coisas atribuídas errôneamente ao Islã mas que contrariam o Alcorão e os direitos humanos universais, despertando aversão e antipatia contra nós muçulmanos.

O véu, cedo ou tarde, afeta negativamente a vida da muçulmana pobre, que depende de transporte público, aguentando piadas infames, sendo rejeitada para vagas de emprego por usar uma indumentária-símbolo de opressão. Cedo ou tarde, ela é obrigada a tirar o véu se não quiser passar fome.

A muçulmana rica, a bem de vida que não precisa trabalhar, tanto faz se usa véu ou não. Por ela ter dinheiro, é bajulada. Ela não tem as portas fechadas no mercado de trabalho. Ela pode até ganhar dinheiro e visibilidade em um canal do YouTube, divulgando produtos (que juram fazer "resenhas" despretensiosas) de marcas renomadas. O pior é que muitas muçulmanas pobres se espelham nelas e nunca chegarão ao mesmo padrão. As marcas ocidentais perceberam que "modéstia" é lucrativa e cria coleções para esse público-alvo, mesmo que sejam roupas caríssimas e nada modestas: Dolce e Gabbana, Nike etc.

Para esse último grupo, sororidade não existe. Se elas estão bem, confortáveis, pouco importa se as outras irmãs de fé desfavorecidas estão sendo prejudicadas e oprimidas. Só gostaria de entender como elas conseguem colocar a cabeça no travesseiro ignorando isto tudo.



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Porque o Islã se tornou tão agressivo com as mulheres?”

* Entrevista com muçulmana Ani Zonneveld: ” Porque o Islã se tornou tão agressivo com as mulheres?”

Postado em 22 de agosto de 2017 por Carmadélio

“O Ocidente vencerá a batalha contra o radicalismo islâmico somente quando se dissociar da Arábia Saudita, que exporta essa ideologia violenta. (e quando os muçulmanos se dissociarem dos ahadith, da sunnah do "profeta) Até agora, os Estados Unidos e a Europa só discutem paz, segurança e direitos humanos, esquecendo-se de que são cúmplices dos sauditas, dos quais compram petróleo e aos quais vendem armas.”

É o que afirma Ani Zonneveld, fundadora e presidente da Muslims for Progressive Values, uma associação de muçulmanos progressistas com mais de 10.000 membros. Ele vive em Los Angeles, onde dirige orações (ou seja, ela é uma imama) das sextas-feiras (para homens e mulheres).

Filha de um diplomata, Ani Zonneveld nasceu há 54 anos na Malásia, um país multicultural e multirreligioso, e viveu na Alemanha, no Egito e na Índia, para depois se mudar para os Estados Unidos, para frequentar a faculdade e se dedicar à música (ela ganhou um Grammy). Personagem transgressivo e eclético, na sexta-feira, 22 de setembro, ela será uma das convidadas do evento Torino Spiritualità.


Ani Zonneveld

**

Os terroristas atingiram Barcelona. Por que visam a lugares públicos?

Os terroristas que atingiram Barcelona são seres desprezíveis, querem criar notícias matando inocentes. Buscam objetivos fáceis: mercados, sorveterias, cafés, onde há uma dimensão alegre. Eles vão continuar atacando a Europa, mas o seu modo de agir não tem nada a ver com o Islã. O fato de que os que são mortos são civis, inocentes, contradiz os ensinamentos de Maomé, segundo o qual, em tempo de guerra, os civis e os crentes (incluindo cristãos e judeus) não devem ser alvejados, é proibido envenenar as fontes de água e pisotear a grama destinada ao pasto.

No entanto, os terroristas usam como pretexto as escrituras do Islã…

Eles interpretam o Alcorão à sua maneira, depravando-o, e essa interpretação deles está se espalhando como um câncer. Em um post nas mídias sociais, o suspeito Moussa Oukabir escreveu que “é preciso matar os infiéis e poupar apenas os muçulmanos praticantes”. Afirmações absurdas, porque o termo infiel não indica o não muçulmano, mas sim aquele que esconde o verdadeiro significado de Deus. Na minha opinião, esses assassinos e os seus imãs é que são kafir [aquele que não crê]. Nós, muçulmanos progressistas, trabalhamos desde 2004 para desafiar essas interpretações do Islã radical.

Vocês já se mobilizaram também por causa dos recentes eventos de Charlottesville que trouxeram para o primeiro plano o extremismo de direita?

Sim, a nossa associação assume como objetivo combater as ideologias radicais sob a bandeira do Islã, mas não percebemos nenhuma diferença entre os integristas muçulmanos e os extremistas brancos. As ideologias não se esgotam na destruição ou na remoção dos monumentos. Seria oportuno seguir o exemplo da África do Sul, onde o Museu do Apartheid e o Slave Lodge recordam os horrores do passado sem glorificá-lo.

Voltemos à Europa, onde assistimos ao retorno dos chamados Foreign Fighters da Síria e do Iraque. Como é possível enfrentar esse problema?

É necessário erradicar a ideologia que anima esses jovens, trabalhando com os líderes religiosos muçulmanos, para que esses rapazes escolham um caminho diferente do radicalismo. Mas a questão é saber onde encontrar imãs capazes de realizar essa tarefa. Em todo o caso, é um problema que deve ser resolvido pelos próprios muçulmanos, mobilizando-se para erradicar as interpretações radicais dos seus textos sagrados.

Essas interpretações radicais trazem consigo uma boa dose de misoginia. Na sua opinião, por que, ao longo dos séculos, o Islã se tornou tão agressivo com as mulheres?

Não é culpa do Islã em si mesmo, mas daqueles muçulmanos que depravaram a nossa religião. Eu fico com raiva quando penso em todas as injustiças que as mulheres muçulmanas tiveram que sofrer, quando, há 14 séculos, a Revelação tinha nos permitido obter direitos. Penso em Maria, a mãe de Jesus, à qual é dedicado um capítulo inteiro do Alcorão e que é mantida na palma da mão pelos muçulmanos, sinal do valor que o Islã dá às mulheres, bem diferente daquela atitude daqueles homens que estão monopolizando a nossa religião. No século XXI, ainda devemos lutar para poder frequentar as escolas, para decidir por nós mesmas. Defrontando-nos com conceitos absurdos, como a tutela por parte de um guardião, as diferenças de gênero em âmbito hereditário, a questão da honra.

Sobre os direitos das mulheres no Islã, em que consiste a iniciativa de vocês intitulada #ImamsForShe?

Trabalhamos com imãs do sexo masculino, com os estudiosos e as estudiosas das escrituras do Islã, com todos aqueles que promovem os direitos das mulheres e das meninas. No nosso programa, existem oficinas, campos de esportes para meninas, onde também realizamos cursos sobre as interpretações liberais do Islã, para dar a essas jovens os instrumentos para responder – com as armas da religião – às imposições e defender os próprios direitos. Seria bom se Malala (ativista paquistanesa vencedora do Prêmio Nobel da Paz) também aderisse.

Farian Sabahi, jornal Corriere della Sera