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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Motivos pelos quais uma muçulmana feminista não deveria usar o véu (sem citar o Corão)

Uma dúvida ainda muito presente na mente de muitas muçulmanas é: "Por que devo parar de usar o véu?". Pois bem, decidi responder essa e outras questões que costumam ser levantadas, para esclarecer o porquê de nossa página defender o não-uso. Já adianto que possuo uma visão de mundo marxista, além de uma grande empatia pelo sofrimento das mulheres ao redor do mundo (motivos pelos quais eu mesma não uso mais o véu).

1) "Mas o feminismo não defende a liberdade individual?"

Existem várias vertentes feministas. O feminismo a qual se refere é o feminismo liberal, que está muito relacionado ao liberalismo socio-econômico, apesar de possuir algumas falas marxistas, e é o que mais está presente atualmente. Há vertentes, porém, que estão diretamente relacionadas ao marxismo, como o feminismo radical. O meio feminista islâmico costuma ter relação com o marxismo, porque acreditamos que o capitalismo lucra com o sofrimento do mundo, principalmente com a opressão das mulheres, e que apenas com a queda do capitalismo e com a reforma geral do islam as mulheres poderão ser livres de fato. Desse modo, o feminismo islâmico adere à visão de que a sociedade é composta de grupos sociais e não de indivíduos; e é claramente visível que, na sociedade islâmica, o grupo que mais sofre opressão é o das mulheres, que são obrigadas a usar o véu, caso contrário sofrerão severos castigos ou perseguidas por outros muçulmanos. 

2) "Mas, no Ocidente, as muçulmanas são proibidas de usar o véu e oprimidas pela sociedade por isso."

De fato. Mas devemos analisar o porquê de serem proibidas, antes de condenarmos quaisquer atitudes tomadas pelos governos (como o governo da França, que proibiu as mulheres de usarem o burkini).
Infelizmente, todos os governos ocidentais temem por suas seguranças nacionais devido aos ameaçadores ataques dos terroristas islâmicos. Assim, acabam tomando medidas preventórias, como proibir hijabistas de passarem pelos aeroportos com o véu ou de entrarem em bancos ou quaisquer lugares de risco usando-o (pois há muitas terroristas que escondem bombas por debaixo de todos os panos). Não importa se uma religião exige o seu uso ou não, todos precisam cumprir essas normas de segurança (inclusive as freiras e mulheres judias que cobrem os cabelos: se a polícia disser para tirar o véu, elas deverão tirar). Claro, o foco principal está nos muçulmanos, porque a ameaça vem dentro do meio <<islâmico>>, não do meio cristão ou judeu, por isso a cobrança para os muçulmanos é maior.

Levando em consideração que há uma série de argumentos que comprovam que o véu não é uma obrigação no islã (veja o link: Mais Sobre o Hijab), não há porquê as mulheres muçulmanas resistirem tanto para tirarem o véu. Entretanto, de forma alguma concordo com agressões físicas ou verbais contra as mulheres muçulmanas que o usam: para nós, do feminismo islâmico, a melhor maneira de pôr fim ao islamismo fundamentalista e opressor é por meio de revoluções e reformas ideológicas, nunca por meio de agressões ou opressões.

3) "O 'hijab' é uma forma de resistir aos fetiches do capitalismo em hiperssexualizar as mulheres!"

Sim, de fato. Existem feministas islâmicas, como a iraniana Hoda Katebi (do blog JooJoo Azad), que defendem o seu uso justamente por esse motivo. Todavia, vamos usar a visão marxista para contrapor seu uso: as mulheres islâmicas (mesmo as que vivem no Ocidente) não têm liberdade de escolha como supostamente dizem ter, pois se tiram o "hijab", são oprimidas dentro de sua própria comunidade. Defender o véu, chamando-o de feminista, é desmerecer toda a luta dos movimentos feministas que tentam dar fim ao hijab-compulsório nos países islâmicos mais conservadores (como Afeganistão, Irã, Iraque, Arábia Saudita, Paquistão, etc). Se você se diz marxista e usa o véu, tenha ciência que está ignorando o fato de que toda a classe das mulheres islâmicas são <<oprimidas>> pelo véu e que, antes de defender a "liberdade de escolha" de um indivíduo, devemos pôr fim ao sistema patriarcal opressor. Com o fim do "hijab" compulsório em <<todas>> as comunidades islâmicas do mundo, com o fim da opressão da mulher e com a reforma do islam, aí sim podemos pensar em liberdade de escolha; até lá, as mulheres muçulmanas devem somente focar na resistência contra todas as formas de opressão que foram inseridas no islam. Lembrando que existem várias formas de resistir à hipersexualização do capitalismo, basta apenas encontrar a que mais se identifique.

4) "De qualquer forma, ainda quero usar o véu."

Sinta-se a vontade, ninguém a está obrigando a nada. Expusemos nossos argumentos: se mesmo assim sente sua consciência limpa, nada podemos fazer a respeito. Recomendo, porém, que melhore sua empatia.

Muitas muçulmanas feministas (como Malala Youzafsai) utilizam o véu de maneira diferenciada, usando-o solto, mostrando os cabelos e pescoços, de modo que sejam facilmente removíveis, para lutarem contra o "hijab" compulsório sem perder a sensação de que estão descumprindo algum "mandamento" de Allah. Se optar por usar o véu desta maneira, não vejo problema (pois ainda assim está provocando os conservadores).

Caso queira mais argumentos, acesse o blog: hijab

Paz!

#Fátima

terça-feira, 20 de junho de 2017

Crianças “sushi” desafiam a divisão Sunita-Xiita

O enredo de um episódio de uma série satírica da TV saudita provocou um amplo debate nas mídias sociais. A trama: dois bebês trocados na maternidade de um hospital saudita e criados por duas famílias radicais - uma sunita, a outra xiita. Anos depois, o hospital descobre o erro e cada filho, agora um jovem rapaz, vai viver com sua verdadeira família. 

Quando os respectivos pais descobrem que seus filhos foram criados por uma família de seita “adversária”, desesperadamente, tentam mudar as suas percepções religiosas e convencê-los de que eles não estão seguindo a “doutrina correta”.

Selfie, a série, estrela o popular porém controverso ator comediante Nasser Al-Qasabi.
No Twitter, o comediante pediu ao seu público que "apertassem os cintos" antes do episódio ser mostrado. Posteriormente, foi elogiado pelos telespectadores sunitas e xiitas.

Embora as vertentes sunita e xiita compartilhem crenças fundamentais, elas diferem em práticas religiosas, rituais e organização. A intensidade da divisão difere de um país islâmico para outro.

No mundo, a maioria dos muçulmanos são sunitas. Xiitas, que representam cerca de 10% da população muçulmana, são maioria no Iraque, Irã e Bahrein. Eles também constituem uma grande população na Síria, Líbano e Arábia Saudita. E são grupos minoritários no Egito e Jordânia.

Crianças “sushi”

Casamentos ente sunitas e xiitas ilustram a "sensibilidade" dessa divisão sectária em alguns países. Embora tais casamentos sejam comuns em países com grandes população xiita como o Iraque e o Líbano, são raras no Egito e na Arábia Saudita, governada por sunitas.

O tema “criança sushi”, como são chamados os filhos de sunitas com xiitas, continua a ser delicado para muitos.

Arij Umran (nome fictício) falou à BBC sobre sua experiência como uma jovem saudita que nasceu de pai sunita e mãe xiita.
“Meus pais se conheceram e casaram no Iraq há 40 anos. Casamentos entre sunitas e xiitas, naquela época, não eram tão importantes. Entretanto, quando eles voltaram para a Arábia Saudita, começaram a enfrentar algumas dificuldades”.

Arij conta que, quando criança, tinha que manter, secretamente, a doutrina de sua mãe porque muitos amigos pararam de falar com ela quando descobriram que sua mãe era xiita. Ela diz que seus pais tinham a mente aberta e apoiavam suas escolhas. Quando perguntou qual doutrina deveria seguir, eles disseram: “É seu dever descobrir. Precisa ler, aprender e nos contar o que decidiu”.

A jornalista de monitoramento da BBC, Mina Al-Lami, que nasceu no Iraque, em um casamento entre sunita e xiita, diz que ter um pai de cada seita era e continua a ser comum no Iraque, principalmente em áreas diversificadas, como Bagdá, a capital.
“Vivendo lá, eu nem sabia que havia duas seitas diferentes até meus primeiros 20 anos”, diz Mina. “Enquanto casamentos entre sunitas e xiitas diminuíram no Iraque, a partir de 2003, com tensões sectárias, eles ainda não são incomuns”, ela acrescenta.

A questão também foi abordada pela cineasta britânico-iraquiana Hoda El Soudani, em seu documentário “Por que eu não posso ser um sushi?”.
A cineasta contou à BBC: “A minha principal intenção era abordar objetivamente tanto as questões mais importantes quanto sobre ser possível uma seita ter em relação à outra, e então, derrubar conceitos equivocados para que pontes possam ser construídas, uma vez que percebem que possuem muito em comum.”

Ela diz que estava motivada em abordar esse assunto delicado depois de “ver o que estava acontecendo em outros lugares como na Arábia Saudita, no Iêmen, no Iraque...”

"A questão não é porque há diferenças de opinião, mas sim por que essas diferenças levaram à violência e animosidade. Para mim, o conflito parece ser mais político do que religioso, embora possa estar escondido por trás da linguagem religiosa."

"As pessoas podem dizer que o filme está retratando uma imagem romantizada de uniões entre sunitas e xiitas, mas eu diria que se existiu uma vez, então ela pode existir novamente. Tenho certeza de que podemos ser menos arrogantes e aceitar mais a outra seita. Elas precisavam se lembrar de voltar às suas origens e abraçar a simplicidade de ser apenas muçulmano, independentemente da seita que se segue", acrescenta Hoda.





Tradução por Ana Lúcia Meschke

sábado, 17 de junho de 2017

"ISLAMOFOBIA"

O termo “islamofobia” aparece escrito pela primeira vez na França na década de 1920 como “islamophobie” e reaparece na década de 1970. No entanto, essas duas aparições do termo contam com diferenças em suas significações. A primeira se refere a disputas e diferenças dentro do Islã e a segunda, ao repúdio aos muçulmanos e ao islamismo (LORENTE, 2012)

Em 1992 a Runnymed Trust - instituição independente que visa pesquisar e promover a diversidade cultural e étnica no Reino Unido – criou a Comissão para os Muçulmanos Britânicos e Islamofobia (Commission on British Muslims and Islamophobia). Essa comissão em 1997enuncia uma definição para “islamofobia” que foi amplamente aceita: islamofobia se refere ao pavor ou ódio do Islã, portanto, gera medo e antipatia sobre todos os muçulmanos e inclusive os muçulmanos árabes [...].

Chris Allen, em seu artigo “Islamophobia and its Consequences” (2007), coloca que é a partir de tal explanação que esse conceito começou a ter relevância fora do Reino Unido. Javier Rosón Lorente, em “Discrepancias en torno al uso del término islamofobia” (2012), também comenta que esse episódio abriu espaço para críticas, no que concerne ao uso indevido deste termo.

O termo “islamofobia” não deve ser entendido como um termo estático, mas sim, em constante mudança e atualização. Segundo Lorente (2012, p. 170), há três grandes correntes críticas e várias outras de diversos segmentos que contestam a validade do uso da palavra. Essas três correntes principais são de razão racial, étnica e religiosa.
" ... Ao lado do canal oficial da Brigada da Honra, surgiu uma comunidade autodenominada Policiais da Blasfêmia - de blogues anônimos como LoonWatch.com, Ikhras.com e um grande número de ativistas de mídia social - para tentar controlar o debate sobre o Islã. Eles lançam o rótulo "islamofobia" em peritos, jornalistas e outros que se atrevem a falar sobre a ideologia extremista na religião. ..." Asra Nomani 
A crítica racial coloca que a islamofobia seria um tipo de racismo proveniente em primeiro lugar das elites intelectuais, e destas foi se difundindo. Esse “novo racismo” é baseado no medo ao Islã. Lorente coloca que isso implica combinações entre os demais preconceitos, como o religioso e o cultural. Em um primeiro momento é raro que um muçulmano seja excluído apenas pela sua religião, portanto, é uma fusão de fatores que contribuem para isso, como por exemplo, a vestimenta, a cor da pele, o fenótipo, as expressões de nacionalismo, cultura, religião, história, mas também por ser imigrante ou refugiado.

A crítica religiosa se resume em dois pontos principais. O primeiro diz respeito à apropriação por alguns muçulmanos do uso do termo “islamofobia” para tentar impedir qualquer crítica vinda de fora sobre a religião muçulmana, seria uma espécie de proteção para que ela não pudesse ser questionada. No segundo, propõe-se que associar islamofobia ao medo, ódio ou preconceito ao Islã em sua forma religiosa é um erro, pois considera-se que os preconceitos racial, étnico e cultural, são muito maiores e mais notáveis que o religioso. 

[...]

Lorente não concorda com o emprego da palavra “fobia” em “islamofobia”. Ele se aproxima de Allen com a justificativa de que esse sentimento de medo é irracional, repele e se põe em defensiva contra o Islã. Outra crítica quanto à formação do termo é o uso de “islam”, que faz referência ao ódio por uma unidade. Claramente, isso engloba questões de religião, raça, etnia, cultura. No entanto, nem todos os muçulmanos possuem todas essas características em comum, deixando transparecer a inexatidão no uso do termo “islamofobia”. Na opinião de Lorente, islamofobia necessitaria dos 150 anos que necessitou “antisemitismo” para ser um termo gramaticalmente aceito. (1)
"A arma mais eficaz usada pelo inimigo (terroristas) é a islamofobia, então, não é aceitável fazermos perguntas difíceis. Se queremos saber os motivos pelos quais os jihadistas estão matando nossos filhos, eles chamam de islamofobia. O diálogo e a discussão em torno da insurgente jihad global não são bem-vindos, porque agora vivemos em um mundo onde a correção política é a norma, e os guardiões da palavra estão lá fora, para te pegar caso você ultrapasse o limite prescrito do usa das palavras ..." Raheel Raza
Segundo o texto abaixo, fobia seria "um medo irracional, diante de uma situação ou objeto que não apresenta qualquer perigo para a pessoa." Uma doença< que deve ser tratada.

Não existe "islamofobia", o que existe é uma aversão aos muçulmanos gerada pelas atitudes de grupos muçulmanos fundamentalistas, pelo atraso e barbáries dos próprios países muçulmanos, por textos religiosos que aprovam barbáries como o apedrejamento, casamento infantil, morte de apóstatas e gays, pelo terrorismo islâmico e assim por diante. E esse fundamentalismo exagerado não se restringe apenas aos países de maioria muçulmana, ao ocidente também quando "imãs nas suas mesquitas, no dizer de gente inside, não se declaram criticamente em relação aos versos do Corão que apelam à violência" (que são retirados do contexto ou mal interpretados), não falam do direito a determinar o próprio modo de vida (calam os casamentos forçados), calam a violência da sharia, silenciam o aspecto problemático do uso do lenço e do chador, ocultam a discriminação da mulher". (2) A violência também está nas ideias e ideais. 

Grupos muçulmanos reformistas (que buscam uma interpretação mais humana e igualitária do Alcorão) são perseguidos e ameaçados pelos próprios muçulmanos, um exemplo, dentre tantos, é o da Irshad Manji, que anda com seguranças e tem sua casa com vidros à prova de balas (ela não é a única). Eu mesma já fui acusada de islamofóbica/psicopata/xenofóbica apenas por pedir mudanças. Isso, nos leva de volta à 1920 quando o termo foi concebido, e esse para mim é o seu melhor sentido. Não existe um medo irracional, existe um medo real.

Tenho certeza de que o termo está sendo mal empregado.

Jogar a culpa no outro ("ódio contra os muçulmanos"), dizer "nem todo muçulmano", é uma solução prática é rápida, mas não resolve nossos problemas (nem do outro) se existe uma interpretação fundamentalista do Islã sendo ensinada pela maioria. Um debate sério e um olhar para dentro é necessário!

Veja também o caso dos imigrantes e refugiados, eles, quando saem de países de maioria muçulmana, conseguem uma vida realmente boa e de sucesso no ocidente, e os que não conseguem, não é por uma questão religiosa. Os países que barraram imigrantes de países de maioria muçulmana foi por questões religiosas? Os ataques aos muçulmanos são generalizados? Pense nisso. E qualquer informação que queiram acrescentar será bem-vinda.

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FOBIA

"O medo é um sentimento comum a todas as espécies animais e serve para proteger o indivíduo do perigo. Todos nós temos medo em algumas situações nas quais o perigo é iminente.

((((A fobia pode ser definida como um medo irracional, diante de uma situação ou objeto que não apresenta qualquer perigo para a pessoa.)))) Com isto, essa situação ou esse objeto são evitados a todo custo. Essa evitação fóbica leva muito freqüentemente a limitações importantes na vida cotidiana da pessoa. As fobias são acompanhadas de ansiedade importante e também freqüentemente de depressão.

Os transtornos fóbico-ansiosos, constituem um grupo de doenças mentais onde a ansiedade é; ligada predominantemente a uma situação ou objeto. Há três tipos principais de fobia:

1. Agorafobia: inclui medo de espaços abertos, da presença de multidões, da dificuldade de escapar rapidamente para um local seguro (em geral a própria casa). A pessoa pode ter medo de sair de casa, de entrar em uma loja ou shopping, de lugares onde há; multidões, de viajar sozinho. Muitas pessoas referem um medo aterrorizante de se sentirem mal e serem abandonadas sem socorro em público. Muitas pessoas com agorafobia apresentam também o transtorno de pânico.

2. Fobia sociail: neste caso a pessoa tem medo de se expor a outras pessoas que se encontram em grupos pequenos. Isto pode acontecer em reuniões, festas, restaurantes e outros locais. Muitas vezes elas são restritas a uma situação, como por exemplo, comer ou falar em publico, assinar um cheque na presença de outras pessoas ou encontrar-se com alguém do sexo oposto. Muitas pessoas apresentam também baixa auto-estima e medo de criticas. Usualmente a pessoa nessas situações apresenta rubor na face, tremores, náuseas. Em casos extremos pode isolar-se completamente do convívio social.

3. Fobias especificas (ou isoladas): como o próprio nome diz, são fobias restritas a uma situação ou objeto altamente específicos, tais como, animais inofensivos (zoofobia), altura (acrofobia), trovões e relâmpagos (astrofobia), voar, espaços fechados (claustrofobia), doenças (nosofobia), dentista, sangue, entre outros. A incapacitação da pessoa no dia a dia depende do tipo de fobia e de quão fácil é evitar a situação fóbica.

As fobias atingem cerca de 10% da população. Em geral surgem na infância ou adolescência, persistindo na idade adulta se não são tratadas adequadamente. Acometem mais freqüentemente pessoas do sexo feminino (com exceção da fobia social, que atinge igualmente homens e mulheres).Depressão, uso de drogas e álcool podem ocorrer freqüentemente associados aos transtornos fobico-ansiosos.

O tratamento das fobias se faz com a associação de medicamentos com psicoterapia. Os medicamentos mais utilizados pertencem ao grupo dos antidepressivos; os ansiolíticos também são freqüentemente indicados. A psicoterapia auxilia na compreensão de fatores que podem agravar ou perpetuar os sintomas fóbicos."

Prof. Dr. Mário Rodrigues Louzã Neto - psiquiatra psicanálise

(1) Partes do estudo O ESTUDO DA ISLAMOFOBIA ATRAVÉS DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO que também aborda, como o próprio nome diz, a "islamofobia" nos meios de comunicação (que não ocorre de tudo) e sobre o banimento dos "véus" na França.

"NEM TODO MUÇULMANO"

A MAIORIA DAS PESSOAS, CRENTES OU NÃO, SÃO DESVIADAS

"Sois a melhor nação que surgiu na humanidade, porque recomendais o bem, proibis o ilícito e credes em Deus. Se os adeptos do Livro cressem, melhor seria para eles. Entre eles há fiéis; porém, ((a sua maioria é depravada.))" 3:110

"Os adeptos do Livro ((não são todos iguais)): entre eles há uma comunidade justiceira, cujos membros recitam os versículos de Deus, durante a noite, e se prostram ante o seu Senhor." 3:113

"Ó fiéis, não tomeis por confidentes a outros que não sejam vossos, porque eles tratarão de vos arruinar e de vos corromper, posto que só ambicionam a vossa perdição.((O ódio já se tem manifestado por suas bocas; porém, o que ocultam em seus corações é ainda pior.))Já vos elucidamos os sinais, e sois sensatos." 3:118

"(((E eis que vós os amais; porém, eles não vos amam, apesar de crerdes em todo o Livro; porém, eles, quando vos encontram, dizem: Cremos! Mas quando estão a sós mordem os dedos de raiva. Dize-lhes: Morrei, com a vossa raiva! Sabei que Deus bem conhece o íntimo dos corações.)))" 3:119

"Entre os adeptos do Livro há alguns a quem podes confiar um quintal de ouro, que te devolverão intacto; ((também há os que, se lhes confiares um só dinar, não te restituirão, a menos que a isso os obrigues.)) Isto, porque dizem: Nada devemos aos iletrados. E forjam mentiras acerca de Deus, conscientemente." 3:75

"E também há aqueles que, com suas línguas, deturpam os versículos do Livro, para que peneis que ao Livro pertencem,quando isso não é verdade. E dizem: Estes (versículos) emanam de Deus, quando não emanam de Deus. Dizem mentiras a respeito de Deus, conscientemente." 3:78


sexta-feira, 16 de junho de 2017

7 estudiosos muçulmanos que apóiam as Imamas


Em 2005, a estudiosa muçulmana Dra. Amina Wadud, conduziu as orações de sexta-feira, apesar das ameaças de bomba.

Curiosamente, 12 anos depois, a consultora muçulmana Yasmin Mogahed, abordou uma questão no site About Islam.

Mogahed invocou o consenso de que os homens deveriam conduzir as orações e que as mulher deveriam parar de imitá-los. Ela criou um binário entre liderança mundana e Divina e declarou que Dra Wadud admitiu que isso era um erro.

Trecho retirado da versão anterior de “About Islam”.

"Se fosse dada uma escolha entre a justiça impassível e a compaixão, eu escolheria a compaixão. Se fosse dada uma escolha entre a adoração mundana e a Divina, eu escolheria a Divina.
Seria conveniente observar que desde que a Dra. Wadud liderou as orações, ela admitiu que isso era um erro. Que Allah aumente suas bênçãos.
Espero que minhas palavras respondam sua questão. Caso tenha quaisquer comentários ou se precisar saber mais sobre o assunto, por favor, não hesite em nos contatar novamente. Obrigada e, por favor, mantenha contato."

Dra Wadud contactou o “About Islam” e solicitou-lhe que se retratassem daquela declaração como uma mentira, portanto, uma calúnia.

A resposta de Mogahed está convicta com o medo de "ocidentixicação", isto é, a adoção acrítica de valores ocidentais, em detrimento dos valores islâmicos. Tal posição, entretanto, reduz o Islã em antítese do Ocidente. Ela também cria um falso binário entre os valores islâmicos e ocidentais.

Além disso, em vez de reduzir a oração de Wadud à uma imitação tola do Ocidente, é importante ouvir diretamente o raciocínio da Dra. Wadud, que está firmemente enraizado nos valores islâmicos.

A resposta de Mogahed está de fato incorreta. Um artigo, cuja co-autoria é de Dra. Laury Silvers, afirma que não há proibição corânica sobre as imamas.
Mesmo uma leitura superficial de estudiosos Hanbali, que permitiu às mulheres liderarem orações em demasia, e estudiosos como al-Muzani, Abu Thawr, al-Dhahiri, al-Tabari e Ibn Arabi, todos os quais apoiam incondicionalmente o imamato feminino, mostra que não existe Consenso sobre o assunto.

Enquanto muitos argumentavam contra as imamas, eles admitiram a ausência de uma proibição do Alcorão, um ponto fundamentado por estudiosos como o Dr. Shabir Ally e o Dr. Jonathan Brown. O trabalho do Dr. Behnam Sadeghi sobre o pensamento jurídico de Hanafi também mostra os pressupostos socialmente contextuais subjacentes à discussão sobre as mulheres na oração.

O artigo de Silvers capta os argumentos dos estudiosos do passado. Aqueles que apoiaram o imamato feminino argumentaram, com base em um ahadith, que o Imam deveria ser o mais versado na leitura do Alcorão. Além disso, alguns como Ibn Arabi afirmaram profecias femininas e alegaram que "não se deve ouvir aqueles que proíbem sem provas".

Enquanto argumentos detalhados são relegados ao artigo de Silvers, segue lista de 7 religiosos islâmicos contemporâneos que apoiam o imamato feminino ou que mudaram de opinião e passaram a apoiá-lo:

1 – Javed Ahmad Ghamidi
O estudioso paquistanês Ghamidi mencionou, no evento em que Wadud liderou orações, em 2005, que ela não violou nenhuma diretiva da Sharia e se ela “tivesse feito algo errado”, seria quebrar a tradição. Mais recentemente, foi ainda mais direto em um vídeo no Youtube. Ele faz referência ao falecido dr. Hamidullah, um expert em Ahadith, quem afirmou que durante a época do profeta Muhammad, Umm Waraqa liderou orações mistas (homens e mulheres). Ghamidi é claro quando diz que as mulheres podem tudo, que elas podem ser cientistas e estudiosas islâmicas. Ele assegura quais objeções temos se as pessoas afirmam o imamato, e se elas lhes oferecem um sermão, nós ouviremos.
A opinião do ex gran-mufti Ali Goma faz um mesmo paralelo à este raciocínio.

2 – Abdullah Rahim
Rahim expressa que enquanto alguns estudiosos afirmam que o ahadith sobre Umm Waraqa é “fraco”, há muitos outros que afirmam que este é Hasan (bom). Ele faz uma distinção entre aspectos internos e externos de adoração e categoriza a questão do imamato feminino como parte deste último. Isso permite a conclusão que o status padrão da liderança feminina nas orações é permissibilidade. Rahim afirma que não podemos dizer que isto é haram (proibido, ilícito) e nem bid’ah (inovação) ou contra Sharia.

3 – Hamza Yusuf
Enquanto se opôs, inicialmente, contra o imamato feminino, Yusuf mudou seu ponto de vista. No Youtube, ele expressou:

"Quando estudei a questão da oração, estava tão preso ao fato que isso não só foi discutido, mas como também havia diversas opiniões. O próprio Ibn Taymiyyah permitiu que mulheres liderassem orações quando os homens eram iletrados e elas, letradas. Ibn Taymiyyah! Permitindo as mulheres liderarem os homens nas orações!"

4 - Khaled Abou El Fadl
De acordo com Dr. Fadl, havia, pelo menos, duas escolas de pensamento que permitia à mulher liderar os homens em orações, se essa mulher em questão fosse a mais instruída. Assim como Ghamidi, ele é claro quando diz que essa questão é mais prática costumeira de consenso masculino do que uma evidência textual direta. Ele opina:

"Parece-me que se uma mulher possuir maior conhecimento que um homem - se for mais capaz de dar um bom exemplo em termos de como recita o Alcorão e de ensinar a comunidade sobre a fé Islâmica - Ela não deve ser impedida de liderar a oração de Jumu'a (oração da sexta-feira), simplesmente por ser mulher."

5 - Mohammad Fadel
De acordo com Silvers, enquanto Fadel considerava o imamato feminino proibido, ele mudou de opinião argumentando que o respeito pelas mulheres na comunidade não pode ser internalizado até que as autoridades masculinas rezem sob a liderança das mulheres.

6 - Khaleed Mohammad
Imam Mohammad se preocupa com aqueles que são contra o imamato feminino transformem as mulheres em objetos sexuais.

Ele assegura: 
"Meu apoio é para a Dra. Amina e rezo para que ela tenha a força para continuar ensinando os homens (e as mulheres) do Islã a necessidade de não só sair da mentalidade estática do passado, mas evitar que eles recuem para o retrocesso."

7 - Hassan Turabi
O falecido estudioso sudanês confirmou a permissibilidade com base na permissão do Profeta. Ele expressou com indignação: 

"Quando há uma mulher devota, religiosa... ela deve liderar as orações e quem se distrai com sua beleza devia ser considerado doente". 

Muitos homens apoiam as imamas. O Grand Mufti de Marselha, Sohaib ben Cheikh até pediu que às imamas que o conduzissem na oração. 

Muitas mulheres têm conduzido orações, incluindo Nakia Jackson, Pamela Taylor, Ghazala Anwar entre outras. Algumas até lideraram orações antes da dra. Amina Wadud em 2005. 

Grupos como Muslims for Progressive Values, Uniservalist Muslims, El-Tawhid Juma Circle, entre outros, continuam a afirmar o imamato feminino. No entanto, dra. Wadud não precisa de defesa. Ela fez história!


Tradução por Ana Lúcia Meschke

segunda-feira, 12 de junho de 2017

O Jejum, segundo o Alcorão - Parte 2

Continuação do texto escrito por Fátima, uma das colaboradoras da página Feminismo Islâmico

De fato o Corão prescreve o jejum. Mas não de alimentos.


"Se não é de comida, é de quê?". Um dos sinônimos de jejum é "abstinência", que "é o ato de se privar de alguma coisa, em prol de algum objetivo" (fonte: www.significados.com.br). Assim, pode-se fazer abstinência de sexo, de drogas, de comida e, inclusive, de falas e/ou ações. Assim, de acordo com a lógica que todos os versículos do Corão se complementam (02:106), podemos concluir que devemos fazer abstinência de palavras. "Mas por quê?". interpretamos que o silêncio é um momento de introspecção e de meditação, provavelmente uma maneira de pedir desculpas a Deus. Pensamos assim pois Maria duvidou dos milagres divinos e, também, por ter sido Zacarias, marido da prima de Maria, tornado mudo por Deus devido a descrença que sua esposa, Ana, conceberia um filho mesmo depois de velha (02:38-41 e 19:08-10). Nossa interpretação pode ser complementada com o trecho: "E não mais deiteis com elas, e permanecei em devoção nas mesquitas".

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(3:41) Disse: Ó Senhor meu, dá-me um sinal. Asseverou-lhe (o anjo): Teu sinal consistirá em que não fales com ninguém durante três dias, a não ser por sinais. Recorda-te muito do teu Senhor e glorifica-O à noite e durante as horas da manhã.


"Mas nunca duvidei de Deus!". Não é para ficar em jejum só porque você duvidou dEle, pode-se ficar em jejum (abstinência!) de palavras por algum pecado que cometeu também, ou para refletir sobre suas atitudes durante o ano ("Deus, será que fui muito intolerante com as pessoas este ano?")."E terei que ficar em silêncio durante um mês inteiro?!". A resposta é: Depende! Depende do erro cometido. Você pode jejuar 2 meses se tiver matado alguém involuntariamente, por exemplo.

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O jejum prescrito como pena:

(4:92) Não é dado, a um fiel, matar outro fiel, salvo involuntariamente; e quem, por engano, matar um fiel, deverá libertar um escravo fiel e pagar compensação à família do morto, a não ser que esta se disponha a perdoá-lo. Se (a vítima) for fiel, de um povo adversário do vosso, impõe-se a libertação de um escravo fiel; porém, se pertence a um povo aliado, impõe-se o pagamento de uma indenização à família e a manumissão de um escravo fiel. Contudo, quem não estiver em condições de fazê-lo, deverá jejuar dois meses consecutivos, como penitência imposta por Deus, porque Ele é Sapiente, Prudentíssimo.


(5:89) Deus não vos reprova por vossos inintencionais juramento fúteis; porém, recrimina-vos por vossos deliberados juramentos, cuja expiação consistirá em alimentardes dez necessitados da maneira com que alimentais a vossa família, ou em os vestir, ou em libertardes um escravo; contudo, quem carecer de recursos jejuará três dia. Tal será a expiação do vosso perjúrio. Mantende, pois, os vossos juramentos. Assim, Deus vos elucida os Seus versículos, a fim de que Lhe agradeçais.


(5:95) Ó fiéis, não mateis animais de caça quando estiverdes com as vestes da peregrinação. Quem, dentre vós, os matar intencionalmente, terá de pagar a transgressão, o equivalente àquilo que tenha morto, em animais domésticos, com a determinação de duas pessoas idôneas, dentre vós. Que tais animais sejam levados como oferenda à Caaba. Ou, ainda, fará uma expiação, alimentando alguns necessitados ou o equivalente a isto em jejum, para que sofra a conseqüência da sua falta. Deus perdoa o passado; porém, a quem reincidir Deus castigará, porque é Punidor, Poderosíssimo.

(58:3-4) E os que repudiam assim a esposa e, depois, retiram suas palavras, devem libertar um escravo antes de voltar a tocá-la. Sois exortados a assim proceder. Deus observa o que fazeis. // Quem não possuir escravos, deverá jejuar dois meses consecutivos antes que os dois voltem a tocar-se. E quem não puder jejuar, deverá alimentar sessenta necessitados. Isso para que creiais em Deus e em Seu Mensageiro. Tais são os limites de Deus.


(2:196) E cumpri a peregrinação e a Umra, a serviço de Deus. Porém, se fordes impedidos disso, dedicai uma oferenda do que vos seja possível e não corteis os vossos cabelos até que a oferenda tenha alcançado o lugar destinado ao seu sacrifício. Quem de vós se encontrar enfermo, ou sofrer de alguma infecção na cabeça, e a raspar, redimir-se-á mediante o jejum, a caridade ou a oferenda. Entretanto, em condição de paz, aquele que realizar a Umra antes da peregrinação, deverá, terminada esta, fazer uma oferenda daquilo que possa. E quem não estiver em condições de fazê-lo, deverá jejuar três dias, durante a peregrinação, e sete, depois do seu regresso, totalizando dez dias. Esta penitência é para aquele que não reside próximo ao recinto da Mesquita Sagrada. Temei a Deus e sabei que é Severíssimo no castigo.

Sempre lembrando que o jejum é abstinência de palavras!!!


Jejum prescrito como meditação, auto-reflexão:


O Corão (2:183) afirma que o propósito do jejum é desenvolver taqwa. As palavras taqwa e taqiyyah vêm da mesma raiz árabe (w-q-y), que significa "piedade, devoção, compaixão, atenção plena".


Resumindo:

1) O jejum é, na verdade, abstinência de palavras (principalmente ofensas), de modo a criar uma maior conexão e devoção para com Deus;
2) A abstinência de palavras deve ser feita durante certo período de dias. Ela se inicia após o nascer-do-sol e termina após o pôr-do-sol. Durante a noite, coma, beba e seja feliz com seu(sua) companheiro(a). Ao amanhecer, volte à sua introspecção e assim permaneça até a aurora. Isso não lhe impede de viver sua vida, contanto que respeite a abstinência;


Agora, nossa tradução:


A Vaca (capítulo 2)

(2:183) Ó vós que credes, foi-vos prescrito o voto de silêncio (asshiyaamu), como o foi aos que vos precederam. E possais tornar-vos piedosos!
(2:184) O voto deve ser realizado em dias específicos. Mas quem dentre vós estiver doente ou viajando, que troque esses dias por outros. Aos que não desejam abster-se (de palavras), mesmo podendo-o, impõe uma compensação: a alimentação de um indigente. Aquele que fizer mais, receberá mais. Contudo, é melhor para vós que fazeis o voto. Se soubésseis!
(2:185) Manifesta centelha o acompanha, Corão: vidência, orientação e discernimento para a humanidade. Portanto, quem entre vós tenha experimentado a manifestação deve fazer voto de silêncio (yasyumhu); e quem estiver doente ou viajando, que faça o voto durante outros dias em substituição. Deus deseja facilitar, não dificultar. Mas cumpri o conograma, e glorificai a Deus por ter-vos orientado, a fim de que (Lhe) agradeçais.
(2:186) E quando Meus servos te interrogarem sobre Mim, dize-lhes que estou perto deles. Respondo ao apelo de quem para Mim apelar. Que eles também respondam a Meu apelo e creiam em Mim. Quiçá encontrem assim a senda da retidão.
(2:187) Está-vos permitido, nas noites dos votos (asshiyaami), acercar-vos de vossas mulheres, porque elas são vossas confidentes e vós o sois delas. Deus sabe o que vos fazíeis secretamente, e Ele aceitou vosso arrependimento e vos perdoou. Procurai-as, pois, e aprendei o que Deus prescreveu em vosso favor. E comei e bebei até que comeceis a distinguir, na aurora, a linha branca da linha preta. Depois, realize o voto (asshiyaama) até a noite. E não mais deiteis com elas, e permanecei em devoção nas mesquitas. Tais são os limites de Deus. Não os transcendais. Assim Deus manifesta Suas revelações aos homens. Quiçá se tornem piedosos.


O Jejum, segundo o Alcorão - Parte 1

Texto escrito por Fátima, uma das colaboradoras da página Feminismo Islâmico


>> De fato o Corão prescreve o jejum. Mas não de alimentos.

Eis a tradução que nos é apresentada pelos sunitas a respeito do jejum do Ramadã:


(2:183) Ó vós que credes, foi-vos prescrito o jejum (asshiyaamu), como o foi aos que vos precederam. E possais tornar-vos piedosos!

(2:184) Jejuareis dias contados. Mas quem dentre vós estiver doente ou viajando, que troque esses dias por outros. Aos que não desejam jejuar, mesmo podendo-o, impõe uma compensação: a alimentação de um indigente. Aquele que fizer mais, receberá mais. Contudo, é melhor para vós que jejueis (tasyuumu). Se soubésseis!
(2:185) Foi no mês de Ramadã que o Corão foi revelado, um guia para os homens, com provas manifestas para a orientação e o discernimento. Quem, pois, estiver presente durante esse mês, que jejue (yasyumhu); e quem estiver doente ou viajando, que jejue durante outros dias em substituição. Deus deseja facilitar, não dificultar. E Ele quer que jejueis durante todo o mês e proclameis Sua grandeza pela orientação que d'Ele recebestes. E possais ser agradecidos!
(2:186) E quando Meus servos te interrogarem sobre Mim, dize-lhes que estou perto deles. Respondo ao apelo de quem para Mim apelar. Que eles também respondam a Meu apelo e creiam em Mim. Quiçá encontrem assim a senda da retidão.
(2:187) É-vos lícito aproximar-vos de vossas mulheres nas noites de jejum (asshiyaami). Sois um vestuário para elas, e elas são um vestuário para vós. Deus sabe que vos equivocáveis e fazíeis o que julgáveis proibido, e Ele aceitou vosso arrependimento e vos perdoou. Procurai-as, pois, e aprendei o que Deus prescreveu em vosso favor. E comei e bebei até que comeceis a distinguir, na aurora, a linha branca da linha preta. Depois, jejuai (asshiyaama) até a noite. E não mais deiteis com elas, e permanecei em devoção nas mesquitas. Tais são os limites de Deus. Não os transcendais. Assim Deus manifesta Suas revelações aos homens. Quiçá se tornem piedosos.

A primeira vista, podemos pensar "Ok, está tudo certo, não há mais nada do que dizer", tal como eu mesma fiz ao ler esse trecho nas primeiras vezes. Entretanto, existe uma passagem no Corão a respeito de Maria que fez com que mudasse de visão a respeito:


(19:20) Disse ela: "Como terei um filho quando homem algum me tocou, e nunca deixei de ser casta?"

(19:21) Respondeu: "Assim será. 'É-me fácil', disse teu Senhor. E faremos dele um sinal para os homens e uma misericórdia."
(19:22) E concebeu-o, e retirou-se com ele para um lugar afastado. E as dores do parto surpreenderam-na ao pé de uma tamareira. E disse: "Pudesse ter morrido antes deste dia e ficado uma coisa esquecida."
(19:23) Mas uma voz de baixo dela chamou-a: "Não te aflijas. Teu Senhor colocou um regato a teus pés.
(19:24) Sacode o tronco da tamareira. Cairão sobre ti tâmaras maduras e frescas.
(19:25) Come e bebe e consola-te. E se vires alguma pessoa, dize: 'Dediquei um jejum (syauman) ao Misericordioso e não falarei hoje com ninguém'".

Se Deus prescrevesse jejum de comida e água à ela, não teria dito à Maria para que se alimentasse de tâmaras; muito pelo contrário, seu jejum era de palavras, foi-lhe dito para que não conversasse com as pessoas. Irei substituir algumas palavras-chave pelas palavras originais em árabe para melhor interpretação: "jejum" é escrito como "siyyam" e "comer e beber" como "wa kuli wa ashrabee". 

Em ambos os trechos (sobre o Ramadã e sobre Maria) o termo "siyyam" é utilizado como jejum, assim como "wa kuli wa ashrabee" como "comer e beber". "Jejum" e "não comer e não beber" são coisas diferentes. É muito comum que trechos estejam interligados no Corão, então pode-se considerar que o siyyam de Maria é o mesmo siyyam usado em todos os outros versículos do Alcorão.

Deus faz suas proibições de maneira clara: Ele costuma dizer "está proibido que", "você não deve...", etc., e não está dito claramente que "NÃO PODE comer e NÃO PODE beber". Ele não criaria um estômago para nós, humanos, que necessita de ser alimentado três vezes ao dia para não trazer-nos mal-estar, para logo em seguida proibir-nos de nos alimentar durante horas. Deus não contradiria a si mesmo. Além disso, ele disse-nos que "Deus deseja facilitar, não dificultar"; e é muito difícil e penoso para os humanos jejuar de comida e água (principalmente para pessoas de regiões muito quentes). Ele jamais iria querer prejudicar nossa saúde física.

Os perigos do jejum e dos transtornos alimentares: Os perigos do jejum e dos transtornos alimentares

Para entender o quão deve ser difícil fazer jejum de comida nos períodos frios, leia a seguinte matéria: Por que sentimos mais fome no frio?