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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

A Mulher Suja e Impura

As leis e regulamentos judaicos, referentes à mulher menstruada, são extremamente restritivos. O Velho Testamento considera qualquer mulher menstruada impura e suja. Além disso, sua impureza "infecta" outras pessoas também. Qualquer um ou qualquer coisa tocada por ela torna-se sujo por um dia: "Quando uma mulher tem seu fluxo regular de sangue, a impureza de seu período mensal durará por sete dias, e qualquer um que a toque estará sujo até a noite. Qualquer lugar onde ela se deite, durante o seu período, ficará sujo, e qualquer lugar onde ela se sente ficará sujo. Qualquer um que toque sua cama precisa lavar suas roupas e banhar-se com água, e ele ficará sujo até a noite. Qualquer um que toque qualquer lugar onde ela se senta deve lavar suas roupas e banhar-se com água, e ele estará sujo até a noite. Se for a cama ou qualquer coisa que ela estava sentada, que alguém tocou, ele ficará sujo até a noite" (Levítico 15:19/23).

Devido à sua natureza "contaminadora", uma mulher menstruada era "banida" algumas vezes, a fim de evitar qualquer possibilidade de contato com ela. Ela era mandada para um lugar especial, chamado "a casa das impuras", por todo o período de sua impureza. O Talmud considera a mulher menstruada como "fatal", mesmo que não haja qualquer contato físico: "Nossos rabinos ensinaram: ... se uma mulher menstruada passar entre 2 (homens), se ela estiver no início de suas regras, ela matará um deles e se estiver no final de suas regras ela causará briga entre eles" (bPes. 111a.)


Além disso, o marido de uma mulher menstruada era proibido de entrar na sinagoga, se ela o tivesse feito ficar impuro, mesmo que pela poeira de seus pés. Um pastor, cuja esposa, filha ou mãe estivessem menstruadas, não podia recitar as bênçãos na sinagoga . Não espanta que muitas mulheres judias se refiram à menstruação como "a maldição".


O Islã não considera a mulher menstruada como possuída por qualquer espécie de "sujeira contagiosa". Ela não é nem "intocável" nem "amaldiçoada". Ela pratica sua vida normal, apenas com algumas restrições: um casal não pode ter relações sexuais durante o período menstrual, mas qualquer outro contato físico entre eles é permitido. 


O Alcorão fala para os homens não procurarem as mulheres em seus períodos (para o sexo) pois é um "incômodo/desconforto/ou pode machucá-la" como dizem as traduções 


Shakir

And they ask you about menstruation. Say: It is a discomfort; therefore keep aloof from the women during the menstrual discharge and do not go near them until they have become clean; then when they have cleansed themselves, go in to them as Allah has commanded you; surely Allah loves those who turn much (to Him), and He loves those who purify themselves.

Sahih Internacional

And they ask you about menstruation. Say, "It is harm, so keep away from wives during menstruation. And do not approach them until they are pure. And when they have purified themselves, then come to them from where Allah has ordained for you. Indeed, Allah loves those who are constantly repentant and loves those who purify themselves."

Dr. Ghali

And they ask you concerning menstruation. Say, "It is hurt; so keep apart from women during menstruation, and do not draw near them till they are pure. So, when they have purified themselves, then come up to them (i.e., to have sexual intercourse) from where Allah has commanded you." Surely Allah loves the ones constantly repenting, and He loves the ones constantly purifying themselves.




As vezes em que a mesma palavra, que traduzem como "impuro", 
e suas variantes aparecem no Alcorão         

"Até que tenham se purificado" não quer dizer que a mulher esteja impura, pois o sangue da menstruação não é sujo ou impuro, isso significa até que tenha tomado um banho, feito a higiene íntima (o sangue, fora do corpo da mulher por algumas horas, torna-se impuro quando entra em contato com o ar e outras partículas externas) por isso, os médicos recomendam não ficar com o modess por mais de 6 horas, pois o sangue começa a se decompor <=== aqui é a fase impura, mas se tomamos banho e tomamos o cuidado de sempre trocar o modess, tá tudo bem, tudo higienizado e limpo. :)  


Eu imagino que na época do Profeta, pela escassez de água no deserto, a mulher só tomava banho no final mesmo da menstruação, então, aí sim a mulher deveria ficar meio sujinha, hoje não, hoje tomamos banho todos os dias, muitas até tomam 2 3 vezes ao dia neste período, mas mesmo assim os homens não devem se aproximar pois, como dito acima, ainda é um incômodo para a mulher. :)


(O sangue da menstruação é sujo? Mentira. Segundo médicos e estudos, o sangue da menstruação nada mais é do que o sangue normal do nosso corpo somado a restos do endométrio, que se descama nesta fase. "O endométrio é uma mucosa que reveste a parede uterina com sangue, não restos tóxicos ou qualquer outra substância que impeça o contato com este material ou faça dele um meio de transmissão de doenças". )


Antigamente o sangue menstrual era celebrado como o “sangue da vida” imbuído de “mana” (poder) respeitado e temido pelos homens e oferecido para a Mãe Terra pelas mulheres. Veja nota AQUI 


"Nas obras de tafsir do século XIII do exegeta al-Qurtubi da Andaluzia e do sírio Ibn Kathir, há uma versão editada e mais estável que une a ocasião da revelação do versículo sobre a menstruação com a explicação do Profeta e sua recepção pelos judeus (al-Qurtubi, p. 81; and ibn Kathir, p. 245.) Em sua versão final, a narrativa sobre este versículo descreve uma prática judaica (e não pré-islâmica ou persa) de isolar totalmente uma mulher menstruada em Medina, a cidade do Profeta que, segundo Al-Qurtubi, é adotada pelos habitantes árabes. Indecisos sobre a prática, os companheiros do Profeta apresentam-lhe a questão. O versículo é então revelado e o Profeta imediatamente comenta: "Façam tudo exceto relações sexuais". Ao ouvir esta explicação, os judeus expressam seu ressentimento pelo desaparecimento de sua autoridade religiosa em Medina. Desta forma, os elementos narrativos desconexos são fundidos em uma narrativa maior, e, apenas a história sobre a má interpretação dos nômades árabes, a posterior aplicação incorreta do verso, e os argumentos com o Profeta para aliviar a restrição imposta no contato com as mulheres menstruadas, é editada. 


Talvez exegetas posteriores ficaram teologicamente alarmados porque a seqüência da má interpretação/aplicação destaca uma grande lacuna entre o texto divino e seu significado. Então, na versão revisada, não há lapso de tempo entre revelação (mantenha-se longe das mulheres na menstruação) e explicação profética (faça tudo exceto relações sexuais), durante o qual o mal-entendido pode ter ocorrido. No entanto, editar o evento não remove a discrepância entre o verso e o significado que os exegetas insistem em manter. (Também não obtém a possibilidade de uma leitura literal que suporte o isolamento das mulheres durante a menstruação.) Na verdade, há evidências em Al-Tabari de que uma minoria dos primeiros juristas ignorou as narrativas extra-corânicas sobre o significado pretendido e manteve a carta do Alcorão, proibindo assim qualquer contato físico entre homens e mulheres menstruadas como o verso sugere. (al-Tabari, Part 2, p. 387.)

Mesmo que para exegetas posteriores esta opinião seja considerada "desviante", ninguém nega que "O sentido geral do versículo sugere isso", e que a sua rejeição é muitas vezes baseada no fato de que "A tradição profética (sunnah) estabelecida nega isso." (al-Qurtubi., Part 3, p. 87) O único alívio desta tensão hermenêutica entre texto e interpretação é encontrado em al-Razi, que argumenta que: "estratégias precárias de hermenêutica, que recaem sobre as narrativas da explicação do Profeta ou sua prática pessoal para limitar ou derrubar a aplicação de um verso (não deve ser tolerado aqui)." Ele sustenta que a forma e o conteúdo da fala divina não podem estar em contradição. (al-Razi, Vol.1)" 

"... Mesmo que vejamos o sangue menstrual como poluente, não quer dizer que a mulher e seu corpo estejam poluídos, uma vez que não há uma afirmação nesse sentido no Alcorão. Além disso, no Alcorão o tabu menstrual se estende apenas à relação sexual; Não se estende à intimidade sexual, nem exige a ostracização social ou o confinamento." (Badawi, 1995)


"Existem ahadith [tradições proféticas] que alegam que as mulheres, quando menstruadas, podem ir às mesquitas, participar do Hajj, Jihad, du'a", e até mesmo lerem o Alcorão, seguindo o exemplo do Profeta." (Siddique 1990, 17) [Barlas 2002, pp. 161-2].(1)


(1) Parte do estudo Horizons and Limitations of Muslim Feminist Hermeneutics: Reflections on the Menstruation Verse Por Shuruq Naguib Traduzido pela Tia Polly



3 comentários:

  1. Penso que quando menstruadas estamos um pouco doloridas, com cólicas, um desconforto enorme... então jejuar e rezar a salat se tornam um tanto incômodo. Daí vem a interpretação equivocada de proibido. Quanto a não tocar no Alcorão, não consigo entender como as mulheres acreditam que Deus proíba isto quando menstruadas! (só acho que tem que estar com as mãos limpas, menstruada ou não)! E sobre as relações intimas, penso que usando preservativo (para evitar a contaminação por bactérias neste período delicado) e se a mulher não estiver dolorida, assim como jejuar e rezar a salat não teria problema algum!
    Bem... isto é meu ponto de vista... só não acho legal dizer que é proibido ou obrigatório, porque isto é entre a pessoa e Deus.

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